Anistia Internacional acusa JBS de falta de compromisso com direitos humanos na Amazônia

Anistia Internacional faz protesto contra JBS (Foto: Miguel Castaño/Anistia Internacional Brasil))
(Foto: Miguel Castaño/Anistia Internacional Brasil))

Quem passou pela marginal Tietê, uma das principais vias de São Paulo (SP), se deparou com uma cena inusitada na manhã desta quarta-feira (28/4). Um caminhão com uma réplica de um boi cruzou a cidade até a sede da JBS para cobrar da maior produtora mundial de proteína animal compromissos concretos com os direitos humanos na Amazônia.

Com a mensagem “comprar gado ilegal é financiar a violação de direitos humanos na Amazônia”, a ação foi promovida pela ONG Anistia Internacional. A entidade afirma que a companhia tem uma parcela de responsabilidade no avanço da violação dos direitos de povos indígenas por grileiros e posseiros que atuam na região, inclusive com o assassinato de lideranças locais.

“Apesar de a gente não afirmar em momento nenhum que a JBS está diretamente implicada nessas violações, não temos dúvida do papel que a JBS deve exercer de forma proativa para garantir que seus fornecedores diretos e indiretos não violem os direitos humanos”, defendeu Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.

Ela esteve em reunião, na terça-feira (27/4), com o diretor de sustentabilidade da companhia, Marcio Nappo, e com o responsável pela área de monitoramento de fornecedores da empresa, Alexandre Kavati, para entregar uma petição com 57.471 assinaturas de pessoas de 84 países pedindo que a multinacional inclua o compromisso com os direitos humanos em suas metas de sustentabilidade.

“A violação naquela região é tão grave que o prazo para resolver é ontem. E a nossa reivindicação é que os pronunciamentos públicos da JBS em relação aos seus compromissos são muito bem-vindos, mas não vimos nada ali relacionado aos direitos humanos, nada explícito que indicasse qual o caminho de prevenir violações, de remediar as que estão acontecendo e de reparar aquelas que aconteceram. Não vimos nenhum pronunciamento de como fazer ou mesmo qual a responsabilidade da empresa em relação a isso. E para nós isso é fundamental” destaca Jurema.

Ação da Anistia Internacional contra a JBS (Foto: Miguel Castaño/Anistia Internacional Brasil)
(Foto: Miguel Castaño/Anistia Internacional Brasil)

Nos últimos dois anos, a empresa anunciou uma série de compromissos públicos para monitorar seus fornecedores indiretos de gado no bioma amazônico com a finalidade de eliminar o desmatamento da sua cadeia de fornecimento até 2025. Mais recentemente, a companhia também divulgou um compromisso público para zerar as suas emissões de gases do efeito estufa até 2040.

“Esses compromissos ambientais não falam das pessoas que estão sofrendo agora, inclusive as que estão lá no território sendo ameaçadas e que a JBS pode, no seu papel indutor e de consumidor daqueles produtores que violam, ter um papel muito importante de provocar mudanças consistentes na prática e de contribuir para fazer cessar que está acontecendo agora”, critica a diretora-executiva da Anistia Internacional

Ela lembra que as Nações Unidas têm princípios orientadores sobre empresas e direito humanos. “Esses princípios estabelecem deveres para as empresas também de respeitar e garantir o cumprimento dos direitos humanos a partir de suas ações. E violação de direitos humanos a gente não resolve no futuro, ainda mais violações graves que envolvem a pecuária na Amazônia.”.

Contraponto

Procurada pela Revista Globo Rural, a JBS destacou os investimentos feitos pela companhia na área ambiental, como desmatamento zero e o monitoramento de fornecedores indiretos.

“A companhia ressalta que tem tolerância zero com o desmatamento ilegal. Há mais de 10 anos, possui um dos maiores sistemas de monitoramento de fornecedores do mundo, que monitora por imagens de satélites uma área superior ao território da Alemanha na região do bioma Amazônia. Essa ferramenta vem recebendo investimentos para aprimoramento constantemente e garante que a companhia só compre de produtores que atendam plenamente seus critérios socioambientais.”, afirmou a empresa, em nota.

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