Sobrevoo na região sudoeste do Pará em 17/09/2020, quinta-feira e detectou focos de fogo, desmatamento e garimpo em unidades de conservaçãoo. Nesta foto, garimpo ilegal na Terra Indigena Munduruku, munici­pio de Jacareacanga. (Foto: Marizilda Cruppe/Amazo´nia Real/Amazon Watch/17/09/2020)

Conexão com desmatadores ameaça JBS e Marfrig no Reino Unido

Sobrevoo na região sudoeste do Pará em 17/09/2020, quinta-feira e detectou focos de fogo, desmatamento e garimpo em unidades de conservaçãoo. Nesta foto, garimpo ilegal na Terra Indigena Munduruku, munici­pio de Jacareacanga. (Foto: Marizilda Cruppe/Amazo´nia Real/Amazon Watch/17/09/2020)

A possível conexão com fazendeiros ligados ao desmatamento da Amazônia ameaça a circulação de produtos da JBS e da Marfrig no Reino Unido.

Um investigação do Bureau of Investigative Journalism em parceria com o site BusinessGreen revelou que supermercados britânicos estão vendendo produtos de empresas  ligadas ao desmatamento ilegal no Brasil, que seriam fornecedores de gigantes como JBS e a Marfrig. As redes varejistas, agora, buscam se desvincular das companhias.

“Falamos com nosso fornecedor para garantir que nenhum produto enlatado recém-adquirido contenha carne brasileira da JBS até o final de 2021”, disse um porta-voz da Asda, rede de supermercados britânica com mais de 600 lojas.

Outras redes, como Sainsbury, estão se posicionando e ameaçando boicotar produtos de empresas brasileiras que estão ligadas ao desmatamento ilegal da Amazônia.

Os resultados da investigação, feita em colaboração com a Repórter Brasil, levantaram sérias questões sobre a eficácia e fiscalização do sistema de embargo do Brasil e minam as alegações de “desmatamento zero” das empresas multinacionais de carne e seus clientes internacionais.

Estes embargos, que foram impostos pelo Ibama, têm como objetivo penalizar os proprietários de terras e recuperar as áreas que foram desmatadas ilegalmente.

A reportagem aponta que os gigantes da carne brasileira compraram gado de Vilymar Bissoni, um fazendeiro ligado a repetidos casos de desmatamento, resultando em vários embargos no estado de Mato Grosso.

Registros mostram que JBS e Marfrig compraram cerca de mil cabeças de gado de Bissoni ao longo de 15 meses em 2018 e 2019. Bissoni é dono de uma empresa com participação acionária no agronegócio Bissoni Agropecuária.

A JBS não negou fazer negócios com Vilymar Bissoni. No entanto, afirmou que “não tolera qualquer desmatamento ilegal na Amazônia ou em outros biomas”.

A Marfrig confirmou que a Bissoni já havia sido fornecedora de um de seus frigoríficos, mas disse que o produtor não constava mais de sua lista de fornecedores. A empresa disse que o agricultor estava “em total conformidade” com suas regras para fornecedores no momento das transações.

De acordo com o site BusinessGreen, o governo do Reino Unido está elaborando regras para proibir as empresas de vender itens que usam matérias-primas ligadas ao desmatamento ilegal no exterior, embora os ativistas argumentem que a proibição deve incluir todo o desmatamento, seja ou não considerado ilegal sob as regras locais.

*Imagem em destaque: Marizilda Cruppe/Amazon Watch/Amazônia Real

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