Joesley e outros ex-executivos da Eldorado pagam R$ 2,8 milhões para encerrar processo na CVM

O Globo

 

Joesley Batista

 

 

Joesley Batista e outros ex-executivos da fabricante de celulose Eldorado vão pagar R$ 2,8 milhões para encerrar processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informou o órgão nesta terça-feira.

Eles eram acusados em processo sobre empréstimo de R$ 24,5 milhões liberado pela Eldorado, em 2017, a José Carlos Grubisich, então presidente da companhia. O empréstimo não passou pelo crivo do conselho de administração da companhia e foi autorizado por Joesley Batista, presidente do conselho e membro da família controladora da Eldorado e da JBS.

À época, a Eldorado ainda estava nas manchetes por causa da Operação Greenfield, que investigou investimentos feitos por fundos de pensão de estatais. A Eldorado tinha como sócios minoritários a Funcef (fundo dos funcionários da Caixa) e a Petros (Petrobras).

Taxa camarada

O empréstimo foi liberado com taxa camarada — 100% do CDI — e só foi revelado em nota explicativa do relatório anual da empresa, pegando os próprios conselheiros da Eldorado de surpresa.

À investigação, Joesley disse que se tratava de adiantamento de salário a Grubisich, mas os técnicos da CVM entenderam que a justificativa era insuficiente e decidiram acusá-los formalmente.

Além deles dois, também eram acusados Luis Felli (então diretor comercial da Eldorado) e Germano Vieira (até hoje diretor florestal da Eldorado), que assinaram documento liberando o empréstimo.

Condenação nos EUA

Inicialmente, os executivos queriam pagar ao todo R$ 900 mil para encerrar o processo, mas os técnicos da CVM rejeitaram a proposta. O termo de compromisso foi então elevado a R$ 2,8 milhões, com Joesley e Grubisich pagando, cada um, R$ 1,05 milhão, e os outros executivos pagando R$ 350 mil cada.

Também ex-presidente da Braskem, Grubisich foi condenado a 20 meses de prisão nos Estados Unidos no fim do ano passado. O executivo era acusado pelo Departamento de Justiça de integrar grupo que desviou cerca de US$ 250 milhões da Braskem — petroquímica que é uma sociedade entre Petrobras e Odebrecht — para subornar funcionários públicos e partidos políticos no Brasil.

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