O que interessa a PGR na repactuação dos operadores de Joesley

Diego Escosteguy

Publicada em 16/12/2020 às 18:09

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Os irmãos Batista conseguiram repactuar a delação mais controversa da história do Brasil após se comprometerem a desembolsar R$ 1 bilhão e pegar apenas alguns meses de prisão domiciliar. No entanto, uma dúvida relevante permanece na PGR: o que Ricardo Saud e Francisco de Assis, operadores confessos dos esquemas do grupo, podem entregar para obter o mesmo benefício de Joesley e Wesley Batista?

Dinheiro grande eles não têm. Sobram, talvez, fatos que foram omitidos na delação. Preferencialmente, se depender dos procuradores, as facilidades obtidas no Judiciário – Poder que ficou incólume na delação dos Batista.

Os procuradores têm profundo interesse em esclarecer as suspeitas de promiscuidade entre Francisco, braço jurídico de Joesley, e desembargadores do Tribunal Regional Federal da Primeira Região.

Parte da equipe de Aras também apresenta curiosidade sobre a natureza da relação entre a J&F e o secretário de Justiça de São Paulo, Fernando José da Costa. O criminalista foi contratado recentemente pela J&F para defender os interesses do grupo em inquérito no qual Francisco acusa a estrangeira Paper Excellence de ameaças e extorsão. Os dois lados lutam judicialmente pelo controle da Eldorado Celulose. A disputa empresarial virou caso de polícia.

Costa é próximo ao governador João Doria e, na prática, substituiu Frederick Wassef no caso policial. O secretário de Doria pediu licença na OAB após assumir o cargo, mas seu escritório acompanha o inquérito. As delegacias em São Paulo estão submetidas justamente à pasta do secretário de Doria.

Print Friendly, PDF & Email
error: