PORQUE OS IRMÃOS BATISTA QUEREM FUGIR DO BRASIL: Por Claudio Tognolli

Depois de construir um império na base do crime, os irmãos Batista estão tendo que prestar contas com a sociedade. Nada indica que eles tenham cessado a vida de crimes, pois a todo instante novos fatos se tornam públicos.

No Brasil, até o momento eles estão conseguindo se safar. A única instituição que ousa enfrentar os irmãos é o Ministério Público Federal, e alguns juizes sérios. O Superior Tribunal de Justiça tem sido extremamente leniente com os mesmos, inclusive permitindo que voltem a atuar na empresa. O Supremo Tribunal Federal tem concedido aos irmãos o tempo que eles precisam para mudar os ativos para o exterior, adiando e tirando de pauta o julgamento da validade da delação.

Nas cabeças de Joesley e Wesley eles precisam urgentemente blindar os ativos no exterior, porque eles não prentendem pagar o valor da multa do acordo de leniência, de R$ 10 bilhões. Eles já não estão cumprindo o acordo de leniência em diversos aspectos, inclusive no que toca às investigações independentes que eles deveriam apresentar. Quando Joesley e Wesley retornaram à empresa, eles dissolveram o Comitê de investigação, e dispensaram toda a equipe de Compliance.

O pagamento do acordo de leniência tem que ser feito pela J&F, e não pela JBS. Como a J&F não é uma empresa operacional, ela vive de dividendos das outras empresas, sendo que a maior delas é a JBS. Mas a J&F é dona de apenas 40% da JBS. Isso significa que a cada R$ 100,00 que a JBS paga de dividendo, apenas R$ 40,00 vai para a J&F. Para gerar R$ 10 bilhões de dividendos para a J&F pagar a multa, a JBS tem que pagar R$ 25 bilhões de dividendos em 25 anos, ou seja, R$ 1 bilhão por ano.

Ganancioso e truculento como é o Joesley, imagina na cabeça dele, saber que ele vai ter que pagar aos detentores de ações da JBS R$ 25 bilhões, só para dar ao Ministério Publico R$ 10 bilhões. Qualquer psicopata vai a loucura com um pensamento desses.

Então, eles não pretendem pagar essa multa. Já decidiram isso. Agora a multidão de advogados e consultores estão buscando os meios para não pagar. Todos os caminhos estão sendo usados. Até a Consultoria Tendencias já foi contratada para falar que o valor é muito alto, e a J&F mandou uma apresentação praticamente pronta para a Tendencias chancelar.

Mas o caminho mais viável é transferir os ativos principais da JBS para um paraíso fiscal que seja inalcançavel pelas autoridades brasileiras e pelas autoridades americanas. Esses paraísos fiscais existem. Holanda e Luxemburgo. E é nesses países que concentram agora a atenção dos Batista. Tudo já está montado, até as atas de redução de capital no Brasil já estão redigidas.

Os Batista estão com problemas nos Estados Unidos também. Diversas investigações do DOJ e outras autoridades podem levar os irmãos para a cadeia nos Estados Unidos. Eles rejeitaram recentemente um acordo proposto pelo DOJ. Para assinar esse acordo, eles precisariam ir para os Estados Unidos, e esse é o grande problema. Eles correm o risco de desembarcarem no território americano e irem para a cadeia, como aconteceu com o executivo da Odebrecht, José Carlos Grubisich. Além das investigações do DOJ, ligadas ao Foreign Corrupt Practice Act, outras relacionadas ao esquema fraudulento da aquisição do Bertin envolvendo a Blessed dos Estados Unidos, e negociações com o Irã e com a Venezuela, além do pagamento de propina através de empresas americanas.

Caso os Batista consigam escapar da justiça brasileira, onde eles continuam com grande influência, eles podem não escapar da justiça americana. O Ministério Público Federal no Brasil trava uma luta solitária contra os irmãos criminosos, pois muitos atos dessa instituição são desfeitos pelo judiciário, com algumas exceções.

A J&F busca no Brasil se redimir perante a opinião pública. Por isso despeja dinheiro nas redes abertas de TV como Globo, SBT, Band, Rede, patrocina massivamente duplas sertanejas através do PicPay, Original e outras marcas do Grupo. Eles estão investindo pesado também em cantores gospel, com o objetivo de se aproximar do entorno do Presidente Bolsonaro.

O BNDES que foi o grande financiador do Grupo, continua um aliado muito forte. Apesar do Presidente Bolsonaro dizer que queria abrir a caixa preta do BNDES, a caixa não foi aberta. Em todos os projetos do Grupo J&F, o banco continua parceiro, inclusive apoiando iniciativas que vão levar à mudança de ativos para o exterior.

A JBS tem falado para o mercado financeiro que o objetivo de mudar os ativos para o exterior é fazer o IPO. Mas isso é uma inverdade. O que eles querem primeiramente é blindar os ativos. Se o IPO sair, o que é bastante improvável dado os problemas que eles tem nos Estados Unidos, isso vai ser um extra. O BNDES caiu nessa conversa, consciente ou inconscientemente, e está apoiando as iniciativas.

Se os Batista conseguirem mudar os ativos para fora, se safar da justiça brasileira e da justiça americana, a maior mensagem que teremos é que o crime compensa, mesmo nas grandes democracias.

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