Veja: A guerra silenciosa entre a PGR e os irmãos Batista

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Marcado para o dia 17 de junho, o julgamento do pedido de rescisão das delações premiadas dos irmãos Joesley e Wesley Batista – e de outros executivos do grupo J&F – está provocando um embate nos bastidores entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a empresa. Formalmente, os dois lados estão em busca de um acordo. Depois de o procurador-geral Augusto Aras ter reiterado, no final de 2019, a intenção de rescindir as colaborações, a subprocuradora Lindôra Araújo incluiu no processo uma proposta de repactuação dos termos negociados. A ideia era a seguinte: impor penas de prisão e multas adicionais em troca do arquivamento do pedido de rescisão de cada delação. Em resposta, advogados da J&F também reiteraram a disposição de tentar uma conciliação. O problema é que a aparente harmonia constante dos autos deu espaço às divergências tão logo a tentativa de repactuação começou.

A PGR propôs agora o pagamento de uma multa adicional de 2 bilhões de reais, a ser dividida entre Joesley e Wesley Batista, além do ex-vice-presidente de Relações Institucionais Ricardo Saud. No acordo inicial de colaboração com a Justiça, fechado ainda sob a gestão de Rodrigo Janot na PGR, cada um dos irmãos Batista aceitou pagar pouco mais de 100 milhões de reais de multa. Além disso, na proposta de leniência com o Ministério Público, a empresa concordou em desembolsar mais 11 bilhões de reais.

Na tentativa de repactuação da delação dos irmãos Batista, a Procuradoria-Geral também propôs que Joesley, por exemplo, cumprisse três anos e seis meses de cadeia – 18 meses em regime fechado, um ano em regime semiaberto, com a possibilidade de sair da cela durante o dia e retornar à noite, e mais um ano em prisão domiciliar. A oferta foi considerada um despropósito pela empresa. Desde o início, a defesa dos delatores insiste que não há razão para a rescisão com base em quatro supostas omissões relatadas pela PGR. Por um motivo simples — tais omissões não seriam pertinentes.

 

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